Há 32 anos atrás, mais precisamente de 11 a 17 de outubro de 1985, na Universidade de Brasília, foi realizado o I Encontro Nacional de Seringueiros da Amazônia, com a participação de mais de 100 seringueiros/as, membros da comunidade da UnB e representantes de entidades de apoio. Nele ocorreu a criação do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), atual Conselho Nacional das Populações Extrativistas, resultado da incansável luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras liderada por Chico Mendes e outros seringueiros/as e povos e populações da floresta, do campo e das águas.

 

O CNS deu força à luta por melhores condições de vida e trabalho das populações extrativistas. Sua organização contribuiu para, neste processo de luta e resistência, fortalecer os trabalhadores da cidade, do campo, das florestas e das águas, e se soma ao enfrentamento aos latifundiários e madeireiros na Amazônia. A entidade articula e representa milhares de trabalhadores e trabalhadoras extrativistas, que reivindicam seus direitos como legítimos defensores das florestas e das águas e que utilizam os recursos naturais orientados por práticas e manejos sustentáveis.

 

No ano de 2015 em que o I Encontro Nacional de Seringueiros da Amazônia e o CNS completam 30 anos, o Núcleo de Estudos Amazônicos - NEAz, do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares - CEAM, da Universidade de Brasília, relembrou essa história e o debate, ainda atual, sobre a defesa da floresta, das águas e de suas populações com uma atividade que trouxe a Brasília atores e lideranças atuais das populações extrativistas que resgataram a história das identidades, organizações, lutas, conquistas e apontaram desafios e perspectivas do movimento extrativista.

 

Realizado no dia 15 de Outubro de 2015, as atividades tiveram o objetivo de marcar os 30 anos do I Encontro Nacional dos Seringueiros no seu primeiro momento. A partir desse objetivo, realizar um ato na Universidade de Brasília com a participação de atores que tiveram protagonismo na ocasião do I Encontro, lideranças atuais dos extrativistas, populações e povos tradicionais que contribuirão para o resgate da história das identidades, organizações, lutas, conquistas e desafios do movimento extrativista. Num segundo momento foi realizado um debate centrado na Educação na Floresta, organizado como uma roda de conversa para debater a produção de conhecimento e definir uma agenda de pesquisa, ensino e extensão. A finalidade do evento também foi de ampliar os espaços de diálogo e reflexão crítica sobre a produção do conhecimento, na perspectiva de construir uma agenda de ensino, pesquisa e extensão que compreenda a cooperação entre a Universidade, o CNS e demais parceiros, no que se refere às atribuições do NEAz/CEAM/UnB.

 

O evento contou com mais de 100 participantes. Entre eles estavam Ângela Mendes, do Comitê Chico Mendes e filha do Chico Mendes; Raimundo Mendes, primo do Chico Mendes e um dos organizadores históricos dos seringueiros do Acre; Joaquim Correa de Souza Belo, atual Presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS); Júlio Barbosa, ex-presidente do CNS; Edel Moraes, atual vice-presidente do CNS; Pedro Ramos de Sousa, organizador do CNS no Amapá e presidente de honra do CNS; Avelino Ganzer, vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na época da criação do CNS; e Sebastião Pereira, presidente da Associação dos Moradores da Reserva extrativista Chico Mendes-AC.

 

Também estiveram presentes os Deputados Federais Angelim, Léo de Brito e Sibá Machado, todos do Acre; José Geraldo, do Pará, e Ságuas Moraes, do Mato Grosso e o Senador do Acre Jorge Viana; além do reitor da UnB Ivan Camargo; do professor da Universidade de São Paulo, Paulo Kageyama; do Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do MEC, Paulo Gabriel Nacif; do Secretário de Articulação com os Sistemas de Ensino do MEC, Binho Marques, ex-governador do Acre; do Conselheiro da ANATEL, Aníbal Diniz; do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Acre, Ronald Polanco; estudantes, técnico-administrativos e professores da UnB, representantes de órgãos governamentais e de entidades, e amigos e amigas das populações e povos da floresta e defensores da Amazônia.

 

 

Síntese dos debates

 

Algumas propostas:

 

  • Privilegiar políticas que contribuam com a melhoria de vida das populações e a conservação dos recursos naturais e dos ecossistemas.

 

  • Valorizar os processos formativos e educativos que tenham como referência a realidade local e a cultura das populações tradicionais e extrativistas.

 

  • Pesquisa, ensino e extensão para a Amazônia, adaptadas a região.

 

  • Constituir fóruns e espaços permanentes de diálogo.

 

  • Conhecer melhor o que está acontecendo na UnB sobre Amazônia

 

 

Mapeamento dos professores que mexem com temas amazônicos e estudantes de pós-graduação. Foi ressaltada, no decorrer dos debates, a importância estratégica da região amazônica em seus vários aspectos como a dimensão e a diversidade, em especial a singularidade da educação e seu papel. Foram destacadas as especificidades econômicas, sociais, culturais e ambientais, que devem ser levadas em consideração para a elaboração de políticas de pesquisa, ensino e extensão e de políticas públicas.

 

Participação das populações extrativistas que contribuem para o desenvolvimento na Amazônia de forma sustentável e que têm grande contribuição para apontar as formas de melhorar as suas condições de trabalho e de vida. Reafirmou-se que a educação está no centro da organização e da luta das populações da floresta. Que o projeto seringueiro, concebido e implantado nos seringais nativos do Acre no início dos anos 1980, alfabetizou 18 mil pessoas de forma especial, levando em conta as especificidades da região amazônica. O projeto foi decisivo na organização, na luta, na resistência e nas vitórias conquistadas. Com mais de 100 escolas na floresta, contribuiu para a formação cidadã dos extrativistas. Na atualidade essas escolas foram, de alguma forma, enquadradas na forma tradicional da educação e um dos desafios colocados no evento foi a retomada desse processo e o reforço à formação cidadã respeitando as especificidades regionais e das populações.

 

Também se apontou a necessidade de buscar formas de geração de emprego e renda através da utilização sustentável dos recursos naturais para fixar os jovens nas reservas extrativistas e melhorar as condições de vida de suas populações. É necessário a  aproximação das populações extrativistas às Universidades para que se realizem pesquisas que busquem tecnologias adaptadas aos produtos da Amazônia.

 

Foi referido que é fundamental que a pesquisa seja feita junto com o extrativista e para com ele. Deve-se ter em conta o que temos na floresta e o que precisamos dela. É necessário juntar o conhecimento tradicional com o conhecimento científico para se avançar na melhor maneira de se utilizar os recursos naturais de modo sustentável.

 

Reunião sobre esse tema, conhecer mais o material existente. Aproximação à temática.

 

Estabelecer um programa que inclua pessoas e envolva técnicos e estudiosos que não estão na universidade e movimentos sociais.

 

 

Encaminhamentos

 

Construir uma agenda que discuta uma proposta de educação da floresta e das águas.

 

Participar nos dias 27 a 29 de outubro do III Chamado da Floresta, organizado pelo CNS.

 

O NEAz propôs à SECADI/MEC organizar uma reunião para discutir a educação da floresta e das águas com as populações tradicionais e extrativistas. Para a reunião no MEC ter o levantamento das pesquisas e pesquisadores e pesquisadoras sobre o tema na UnB.

 

Criar uma comissão com o objetivo de elaborar uma proposta de programa de pesquisa, ensino e extensão que seja diferente e audaciosa. Sugestão de participantes da comissão: 3 de movimentos (falar com CNS para definir); 3 da academia ou afins (UnB, USP e outro a definir) e 1 representante da FEAB. Ter em dezembro parte do documento feito e no início do ano um esboço mais definitivo.

 

 

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